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Lopes Advocacia

Golpe da falsa delegacia por videochamada: como funciona e como se proteger

Ligação com nome de delegacia, ameaça de crime por não comparecer e a «solução» por videochamada. Entenda o golpe que captura o seu rosto para fraudar bancos e o que fazer se você caiu nele.

Por Dr. Luan Lopes3 min de leitura

Mão segurando um celular com conversa aberta

Um golpe cada vez mais comum começa com uma ligação que parece oficial. Na tela aparece o nome de uma delegacia, e do outro lado alguém se apresenta como servidor público dizendo que você está envolvido em uma investigação. O objetivo final não é o seu dinheiro naquele momento, e sim a sua imagem: o seu rosto, os seus movimentos e a sua voz.

Como o golpe funciona

O criminoso já tem os seus dados pessoais, como nome completo, CPF e endereço, muitas vezes vindos de vazamentos. Isso deixa a conversa convincente. Em seguida ele diz que você precisa comparecer com urgência a uma delegacia distante.

Quando a pessoa diz que não consegue ir, vem a pressão: o golpista afirma que não comparecer pode configurar crime. Logo depois ele muda de tom e oferece uma saída «para facilitar»: resolver tudo ali mesmo, por videochamada.

É nesse momento que mora o perigo. Durante a chamada, os criminosos gravam o seu rosto, os movimentos da cabeça e a sua fala. Esse material pode ser usado para tentar burlar o reconhecimento facial de aplicativos de banco, desbloquear contas e abrir crédito ou fazer outras fraudes em seu nome.

Sinais de que é golpe

  • Delegacia ou órgão público que liga intimando e ameaçando prisão ou crime por telefone.
  • Pressa e urgência: «tem que ser agora», «senão vai complicar para você».
  • Pedido para fazer videochamada, mostrar o rosto de perto, virar a cabeça, piscar ou falar frases.
  • Pedido de documentos, fotos, códigos recebidos por SMS ou senhas.

Intimações de verdade não se resolvem por videochamada com um desconhecido. Na dúvida, desligue e procure você mesmo o telefone oficial da delegacia ou do órgão, em fonte confiável.

Como se proteger

  • Não aceite videochamada de quem diz ser autoridade e não mostre o rosto a números desconhecidos.
  • Ative a verificação em duas etapas no WhatsApp e nos aplicativos de banco.
  • Converse com os idosos da família: eles são o alvo preferido desse tipo de abordagem.
  • Se receber a ligação, anote o número e o horário e registre a tentativa na delegacia on-line.

Caí no golpe. E agora?

Aja rápido. Avise o seu banco pelos canais oficiais e peça o bloqueio de acessos e de novos empréstimos ou cartões. Se houve Pix, peça ao banco a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED) o quanto antes. Registre boletim de ocorrência, guarde prints, números e horários, e acompanhe o seu CPF em serviços como o Registrato, do Banco Central, para ver contas e empréstimos abertos em seu nome.

Se aparecerem empréstimos, descontos ou dívidas que você não fez, ou se o banco se recusar a resolver, esses casos podem ser discutidos à luz do Código de Defesa do Consumidor, já que a instituição financeira tem o dever de garantir a segurança das operações. Cada situação depende dos documentos e de como a fraude aconteceu, por isso vale uma análise do caso.

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A orientação deste artigo partiu de um alerta gravado pela Polícia Militar de Minas Gerais (@pmmg.3rpm.8ciapmind). Informação é a melhor defesa: envie este texto para a sua família, principalmente para quem é mais velho. Você pode evitar que alguém seja a próxima vítima.

Recebeu cobranças ou empréstimos que não fez? Fale com o escritório.

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