Golpe da falsa delegacia por videochamada: como funciona e como se proteger
Ligação com nome de delegacia, ameaça de crime por não comparecer e a «solução» por videochamada. Entenda o golpe que captura o seu rosto para fraudar bancos e o que fazer se você caiu nele.

Um golpe cada vez mais comum começa com uma ligação que parece oficial. Na tela aparece o nome de uma delegacia, e do outro lado alguém se apresenta como servidor público dizendo que você está envolvido em uma investigação. O objetivo final não é o seu dinheiro naquele momento, e sim a sua imagem: o seu rosto, os seus movimentos e a sua voz.
Como o golpe funciona
O criminoso já tem os seus dados pessoais, como nome completo, CPF e endereço, muitas vezes vindos de vazamentos. Isso deixa a conversa convincente. Em seguida ele diz que você precisa comparecer com urgência a uma delegacia distante.
Quando a pessoa diz que não consegue ir, vem a pressão: o golpista afirma que não comparecer pode configurar crime. Logo depois ele muda de tom e oferece uma saída «para facilitar»: resolver tudo ali mesmo, por videochamada.
É nesse momento que mora o perigo. Durante a chamada, os criminosos gravam o seu rosto, os movimentos da cabeça e a sua fala. Esse material pode ser usado para tentar burlar o reconhecimento facial de aplicativos de banco, desbloquear contas e abrir crédito ou fazer outras fraudes em seu nome.
Sinais de que é golpe
- Delegacia ou órgão público que liga intimando e ameaçando prisão ou crime por telefone.
- Pressa e urgência: «tem que ser agora», «senão vai complicar para você».
- Pedido para fazer videochamada, mostrar o rosto de perto, virar a cabeça, piscar ou falar frases.
- Pedido de documentos, fotos, códigos recebidos por SMS ou senhas.
Intimações de verdade não se resolvem por videochamada com um desconhecido. Na dúvida, desligue e procure você mesmo o telefone oficial da delegacia ou do órgão, em fonte confiável.
Como se proteger
- Não aceite videochamada de quem diz ser autoridade e não mostre o rosto a números desconhecidos.
- Ative a verificação em duas etapas no WhatsApp e nos aplicativos de banco.
- Converse com os idosos da família: eles são o alvo preferido desse tipo de abordagem.
- Se receber a ligação, anote o número e o horário e registre a tentativa na delegacia on-line.
Caí no golpe. E agora?
Aja rápido. Avise o seu banco pelos canais oficiais e peça o bloqueio de acessos e de novos empréstimos ou cartões. Se houve Pix, peça ao banco a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED) o quanto antes. Registre boletim de ocorrência, guarde prints, números e horários, e acompanhe o seu CPF em serviços como o Registrato, do Banco Central, para ver contas e empréstimos abertos em seu nome.
Se aparecerem empréstimos, descontos ou dívidas que você não fez, ou se o banco se recusar a resolver, esses casos podem ser discutidos à luz do Código de Defesa do Consumidor, já que a instituição financeira tem o dever de garantir a segurança das operações. Cada situação depende dos documentos e de como a fraude aconteceu, por isso vale uma análise do caso.
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A orientação deste artigo partiu de um alerta gravado pela Polícia Militar de Minas Gerais (@pmmg.3rpm.8ciapmind). Informação é a melhor defesa: envie este texto para a sua família, principalmente para quem é mais velho. Você pode evitar que alguém seja a próxima vítima.
Recebeu cobranças ou empréstimos que não fez? Fale com o escritório.

